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Passear Contigo, Amar e Ser Feliz

CAP III - Chiang Mai – três ponto dois - Elephant Nature Park

15.04.19 | André Maria

O país dos tours

 

Como se recordam, a Agência Abreu no circuito “Triangulo Thai” tinha algumas atividades definidas e que nós usamos como base para programar a nossa viagem.

Em Bangkok não houve qualquer necessidade de reservar tours, isto é: programa de agências locais de visitas guiadas, porque dentro da cidade simplesmente não é preciso e o tempo disponível não nos permitiu visitar as principais atrações fora dela, ficando assim por conhecer Ayutthaya e o mercado flutuante.

Em Chiang Mai a coisa já foi diferente. Se ontem fomos ao Doi Suthep, “por conta própria”, que já ficava na periferia, hoje foi dia de conhecer a maior riqueza deste país, a cerca de uma hora de distância do nosso hotel, através do nosso primeiro tour. Falamos, pois, dos elefantes, que em tempos foram a bandeira nacional da Tailândia.

 

 

Dos elefantes

 

Uns meses antes, após várias pesquisas na internet encontramos o Elephant Nature Park. Um santuário de Elefantes que já foi distinguido com prémios internacionais, pelo seu excelente trabalho de recuperação de Elefantes, que eram, na maioria, vítimas do turismo, indústrias ou forças armadas.

Aconselhamos a pesquisarem pela “Quebra do Espirito”, um ritual cruel, que tem como objetivo acalmar e domesticar o elefante, através de tortura, para que possa depois obedecer às ordens dos homens. Dessa forma o instinto selvagem do animal é “apagado” e este fica preparado para trabalhar intensamente nas mais diversas áreas, com principal destaque para a função de andar com os turistas às costas.

 

Por 5.000€ Baths, cerca de 135€, reservamos meses antes este Tour de um dia completo, diretamente com o Elephant Nature Park, para duas pessoas, incluindo almoço e transfer desde o Hotel.

 

E assim foi, após um bom pequeno almoço, com muita variedade ocidental, aguardamos uns minutos pela chegada da carrinha que nos levaria até aos elefantes. Durante esse período de espera vimos partir cerca de uma dezena de casais para diversos tours e compreendemos a dinâmica daquele local. Todos os casais, tal como nós, tinham reservado antecipadamente o seu programa para aquele dia e ali estavam a partir, cada um para o seu destino, com a sua agência local.

 

Do turismo

 

A nossa van de 9 lugares era recente, equipada com ar-condicionado no máximo, televisor e bastante confortável. Os restantes lugares já estavam ocupados de jovens que, tal como nós, atentamente assistiram ao documentário sobre o santuário, que ia passando no televisor ao longo do caminho. Percebemos, logo ali, que se tratava de algo sério, algo reconhecido internacionalmente e visitado por inúmeras figuras públicas mundiais.

O documentário explica ao detalhe o funcionamento do parque, bem como todo o seu percurso cronológico de conquistas.

Já passava das nove horas quando chegamos. Estávamos parados num parque em terra batida, com mais quatro ou cinco carrinhas semelhantes à nossa, envolvidos num grupo de mais de trinta turistas. Atrás de nós víamos arvores altas e o verde da floresta e bem ao nosso lado uma espécie de canil/gatil que se fazia ouvir. Fomos divididos pelos guias e ficamos com um grupo mais reduzido, de aproximadamente dez pessoas. Subimos as escadas de madeira, que nos levavam para a base do edifício de dois andares, que servia de base para o santuário.

Seguindo o guia, passamos pelo bar e percorremos até ao secretariado onde foi confirmada a nossa reserva e deixamos os nossos pertences na ala do refeitório, numa mesa redonda destinada ao nosso grupo. Todo este andar era amplo, e o refeitório tinha apenas uma grade a separar do resto do parque, de forma a que pudéssemos apreciar a savana.

A primeira atividade foi alimentar os elefantes. O nosso guia chamou dois animais que se colocaram junto à grade à espera da refeição. Colocou ainda cerca de meia dúzia de baldes cheios de pedaços de melancia, para que lhes pudéssemos dar. A nossa função era pegar na melancia e esperar que o animal a desejasse e, com o auxílio da sua tromba, nos viesse pegar da mão. Estávamos afastados pela grade para que a segurança do animal fosse garantida e a nossa proteção assegurada, para o caso de este se irritar com a nossa presença durante a refeição.

O nosso grupo era composto por um casal de Chilenos e um grupo de cinco ou seis rapazes Espanhóis. À medida que íamos deixando o edifício para trás, eles começaram a dialogar entre si, em Espanhol, e nós os dois íamos compreendendo tudo o que diziam, sem que eles dessem conta.

Ao longo da savana, estavam espalhados sombreiros gigantes, construídos com madeira e palha, que serviam de sombra para os mais de noventa elefantes que ali vivem, juntamente com outros animais selvagens.

Paramos debaixo de um desses para alimentar mais um casal de elefantes. Desta vez com verduras, semelhantes a espigas de milho, e podemos pela primeira vez, sentir-lhes a pele a acariciá-los lentamente. Nem todos os elefantes conseguem disfrutar deste momento, sendo que apenas são escolhidos os animais mais habituados ao contacto com humanos.

Ao longo desses momentos, houve lugar para umas boas fotos e um convívio animado entre o grupo, que fazia questão de comunicar connosco sempre em inglês. Foi por isso um grande espanto quando decidimos interagir com eles na sua própria língua. Ficaram maravilhados por conseguirmos falar “portunhol” com um sotaque tão parecido com o deles e compreendermos tão facilmente o que diziam. Ainda tentamos falar com eles em Português, mas a verdade é que dessa forma eles pouco entendiam. Foi por isso uma mistura de Chileno, Castelhano e Portunhol o resto do dia.

Antes de almoço conhecemos um elefante cego, que passeia livremente pelo parque. Os cuidados de quem visita são por isso redobrados e a aproximação ao animal é estritamente proibida.

 

Dos sabores

 

O almoço era composto por comida tradicional tailandesa. Um refeitório normal, de self-service, onde tínhamos à disposição todo o tipo de vegetais salteados, variedades infindáveis de fruta, arroz branco e carne refugada, com molho tradicionalmente picante. Um verdadeiro manjar cultural altamente delicioso, acompanhado por água bem fresca. Não fosse a falta de um bom café no final e estaria perfeito.

Depois de um almoço em que o tema de conversa era a diferença entre os nossos países, em que fomos aconselhados a conhecer o Chile e o Peru no Continente Americano, não podíamos perder a oportunidade de mostrar umas boas fotos do Porto e dos Passadiços do Paiva, que deixaram os nossos amigos com vontade de virem cá um dia.

 

Das sensações únicas

 

A tarde foi passada a assistir ao banho dos elefantes. Livremente iam entrando no rio e banhando o corpo, saboreando a frescura das águas. Cobriam-se quase totalmente e depois aspergiam pela sua tromba litros de água. Um banho tranquilo com dezenas de turistas de olho focado na lente da camara ou no ecrã do telemóvel, que registava o momento para a eternidade.

Do outro lado do rio existe outro parque de elefantes onde a conduta é totalmente diferenciada. Podemos assistir a um desfiladeiro de jipes que passavam pelos trilhos e iam deixavam um rasto de fumo negro e barulho do motor. A poucos metros andavam elefantes carregando turistas no seu dorso, que sorriam com as passadas do animal. Dois universos tão próximos e tão distintos.

 

Depois do banho é hora de rebolar na lama. Saíram da água e coçaram o corpo num monte de lama durante vários minutos. Hidrataram a pele molhada e apreciamos a forma descontraída com que a deixaram secar, sem que nenhum de nós que assistia perturbasse aquele momento de relax.

 

Eram mais de quatro da tarde quando saímos do parque e partimos de regresso ao hotel. Um dos dias mais felizes da nossa vida. O contato com os elefantes foi uma experiência inesquecível e que deixará sempre imensas saudades da Tailândia. Recomendamos que se um dia forem à Tailândia procurem viver esta experiência desta forma e compreendam que um elefante não é um animal de carga e que esse fator simplesmente lhes arruína a vida!

 

Podem ainda ajudar o parque apadrinhando um destes animais, pagando-lhe alimentação durante o período que desejarem!

 

Acho que não somos capazes de tirar uma fotografia que vos explique este sentimento mágico.

 

Fiquem connosco porque Chiang Mai ainda tem mais para conhecer no próximo post!

 

 

Esmiuçando voos até à Croácia

04.04.19 | André Maria

Fora do Facebook por motivos de_

 

Açores foi a base


Como vos dissemos no post “Blog sem cor! Eis a definição” este ano vamos de viagem até Milão e depois fazemos um circuito pela Croácia. E quem diria que tudo começou com uma vontade de ir aos Açores. Há imenso tempo que andamos a falar sobre a nossa ida a São Miguel, depois de em 2016 termos visitado a Madeira. Infelizmente, como a maioria dos Portugueses, estamos obrigados a gozar férias em Agosto, pois é o período mais calmo das empresas. Acabamos por sair prejudicados no que ao orçamento diz respeito, porque em Agosto tudo é bem mais caro. A começar pelas viagens.

 

Em Agosto, os voos de ida e volta para os Açores com origem no Porto rondam os 200€/pessoa! Se for fora dessa época, consegues voos por 50€. Logo ali, sentes que estás a ser prejudicado pela altura escolhida e apenas te dará vontade de esperar que um dia tenhas liberdade na altura certa. Riscamos, pois, açores do nosso futuro próximo e tentamos algo diferente, pensando mesmo que seriamos obrigados a ficar em terra, uma vez que qualquer outro destino seria inevitavelmente caro.

 

4 dicas para voos baratos:

 

- Para conseguires uma viagem mais barata, na maioria dos casos, é preciso que tenhas alguma disponibilidade de agenda. Poder optar por um dia, o dia antes ou o dia depois para a partida é fundamental. A mesma coisa se aplica para o regresso. Caso exista uma flexibilidade de datas, por mínima que seja, ajuda sempre a conseguir uma melhor pesquisa.

 

- Um fator muito importante é não exagerar no número de vezes que pesquisas o mesmo voo. Eu tenho o hábito de pesquisar sempre em modo de navegação “anónima”, embora não esteja seguro de que isso seja suficiente. Pois, uma vez que os sistemas detetem que tu queres mesmo aquele voo, o preço vai subir! Já me aconteceu inúmeras vezes querer um voo e quando voltava a pesquisar o preço já tinha subido. É sempre assim!

 

- Quando usares a aplicação edreams, rumbo ou momondo, tem sempre o cuidado de selecionar o modo de pagamento correto. No nosso caso é o Visa Mastercard. Caso não o faças, por predefinição surge o “modo de pagamento mais económico”, que se fores a ver obrigar-te-ia a uma série de requisitos difíceis de cumprir. Então estrategicamente surge um valor mais baixo que em média sobe cerca de 30€, por voo, quando selecionas o modo de pagamento adequado!

 

- Para conseguir um voo barato o truque passa por pesquisar, através do site flyghtradar, os voos mais frequentes que o teu aeroporto de destino recebe. Comparas depois com os destinos mais frequentes desde o aeroporto de onde queres partir. Assim, encontrarás uma ponte aérea que, na maioria dos casos, acaba por ser a mais económica.

 

Esse foi o nosso caso!

 

 

“Amor! Que tal ir à Croácia?”

 

“Bem, deves estar doida!”, concluí em silencio, sem que ela percebesse o meu pensamento. A conversa ficou por ali, mas ouvir falar nesse destino despertou-me um imenso fascínio e uma curiosidade enorme. Decidi então estudar essa opção, mesmo sabendo que não teríamos verba para isso.

 

Foram horas intensivas de pesquisa. Muito tempo a ler sobre a Croácia, sobre as maravilhas da Croácia, sobre as ilhas da croácia, sobre as praias da croácia, croácia e croácia, que não me saía da cabeça.

 

Vi uma publicação da TAP no meu feed do Facebook sobre os voos de ida, do Porto para Zagreb, pelo preço promocional de 120€ por pessoa. Aqui está mais uma prova que eles sabem tudo o que nós pesquisamos e bombardeiam-nos com publicações direcionadas para as pesquisas que andamos a fazer. Mas se a ida era por esse valor o regresso era próximo dos 200€, o que transformava a viagem num valor na ordem dos 320€ por pessoa! Uma ida e volta por um valor insustentável neste momento!

 

Primeiro analisei os voos mais frequentes e mais económicos a chegar à Croácia. Percorri toda a lista dos aviões que chegavam a Zabreb e também a Dubrovnik. Depois vi todos os voos que saiam do porto e que coincidiam com destinos que me apareciam regularmente em Zabreb ou Dubrovnik.

 

Na mouche!

 

A resposta foi milão! Há voos lowcost desde o Porto para Milão e também os há de Milão para Dubrovnik. E quando digo que são baratos é porque são mesmo baratos. Dada a nossa flexibilidade, escolhemos voar do porto para o aeroporto de Bergamo, em Milão, no dia 21.08.2019, quarta-feira pelas 6h da manhã com chegada a Itália por volta das 10h. Um voo muito interessante da Ryanair por apenas 34,67€/pessoa.

 

O voo mais barato a sair de Milão para Dubrovnik era no dia seguinte, 22.08.2019, ao início da tarde. Perfeito! Mais de 24h para conhecer Milão, nesta escala, e ainda usufruir de uma noite tranquila na cidade.

 

O voo de Milão para Dubrovnik mais económico sai do aeroporto de Malpensa, em Milão, e conseguimo-lo por um valor inacreditável de 17,98€/pessoa, através da Easyjet!

 

Ambos os voos foram comprados diretamente dos sites das companhias, o que nos permitiu voar do Porto até Dubrovnik, na Croácia, com uma paragem em Milão, pelo valor de 52,65€/pessoa! 67,35€ abaixo da promoção da TAP.

 

Se para chegar à Croácia as contas já tinham sido muitas, o que dizer do voo de regresso. Como o objetivo era fazer um circuito na Croácia, chegando ao país por Dubrovnik era pertinente sair de lá por Zagreb, para não sermos obrigados a fazer o trajeto de retorno, dada a distância de mais de 700km entre essas cidades. Limitou-nos por isso o aeroporto de partida a Zabreb e escolhemos o dia 29.08.2019 para o retorno.

 

Através do método de cruzamento, encontrei várias opções na Alemanha e também na Irlanda. Desta vez não queríamos passar mais tempo a conhecer outra cidade, pelo que demos prioridade a escalas curtas. Excluímos logo ali a opção Irlandesa, uma vez que eramos obrigados a aguardar pelo dia seguinte para encontrar as melhores cotações. Colónia, na Alemanha foi a solução.

 

Compramos um voo da Eurowings de Zabreb até Colónia por 59,99€/pessoa. Após uma pequena escala de duas horas, a ligação final será feita, novamente pela Ryanair, com um voo até ao Porto, por 32,63€/pessoa. Totalizando um valor de 92,62€/pessoa para o regresso.

 

Wow! Que preço!

 

Contas feitas, são 4 voos, por 3 companhias diferentes, apenas com mala de mão incluída, por 145,27€/pessoa!

 

Falta agora dizer-te quanto iremos gastar no resto, mas já ficas com uma noção daquilo que também poderás gastar em viagens para este destino. Para isso deves ser ágil e muito persistente nas tuas pesquisas! Encaramos isto como um jogo, um passatempo, uma diversão e colocar este “trabalho” na mão de uma agência é, em certa parte, retirar o brilho da viagem!

 

 

No próximo post vamos esmiuçar onde dormir nestes destinos! Vens descobrir connosco?

CAP III - Chiang Mai - três ponto um

01.04.19 | André Maria

Cidade ou vila gigante?


Duas horas de voo, com o sol a bater na janela. Ao longo dos cerca de setecentos quilómetros que separam a capital da segunda maior cidade do país, atravessamos muitos cultivos, muitas zonas verdes, muitos riachos, com o avião da Thai Smile sempre a mais de vinte pés de altitude. Quando por fim chegamos ao norte do país percebemos que entramos noutro ambiente. Apesar de ser uma cidade bem grande, Chaing Mai tem um especto menos citadino. Não tem os arranha céus de Bangkok, muito menos a azáfama, e conseguem-se ver montanhas bem próximas. A mais visitada é o Doi Suthep, onde é possível ter uma vista abrangente de todo o território e a mais alta, embora um pouco mais afastada, é o Doi Inthannon, com mais de mil e oitocentos metros de altitude. Chiang Mai está por isso próxima da natureza, em contacto com a Tailândia real e é um dos motivos de não constar em alguns dos roteiros turísticos mais vendidos.

 

O aeroporto era bem pequenino. Mal cruzamos a porta de saída, com o som das rodas das malas já cansadas, fomos interpelados por um taxista. Ali não podia ser diferente. Mesmo estando com a sensação que estávamos em outro país a mentalidade era a mesma, o clima era o mesmo, o cheiro não era igual, mas o sorriso permanecia. A conversa foi breve e levou-nos ao banco de trás de um jipe cinzento, moderno, com o ar condicionado no máximo. Aquilo não era bem um táxi, mais parecia um carro da uber, mas fosse o que fosse levou-nos ao destino por muito pouco dinheiro. Da janela olhávamos a estrada e confirmávamos a pesquisa: Chiang Mai era uma cidade em forma de vila gigante.

 

Quando a fome não quer apertar


Paramos à porta do Mhonsa Hotel, a poucos metros da cidade velha. O hotel estava bem localizado, tinha look bem moderno, com uma fachada de três andares, repleta de janelas e o nome do hotel pintado de amarelo, sob uma placa de madeira bastante grande. Ainda era cedo para o check-in mas fomos amavelmente bem recebidos e autorizados a deixar os nossos pertences na receção, até ser possível ir para o quarto.

 

Era hora de almoço e o estâmago receava mostrar a fome. Se quando sabes que vais comer algo bom a fome parece que te invade os olhos e o pensamento, o contrário acontece quando tens medo do que virá. Com o tripadvisor sempre à mão procuramos o local que mostrasse os pratos mais apelativos e que ficasse mais próximo.

 

Foram precisos poucos passos para saltar à vista a primeira diferença. A comida de rua que invadia Bangkok não estava tão representada por aquelas bandas. Haviam por isso inúmeras opções de restaurantes.

Subimos o passeio e olhamos o caudal de água que nos colocava do lado de fora da cidade velha. A cidade velha é coração de Chiang Mai. Tem a forma de um quadrado e está rodeada de água, sendo por isso obrigatório atravessar uma das várias pontes, como cerca de vinte metros de comprimento. Neste epicentro estão localizados os principais templos da cidade.  

 

Bastaram duzentos metros para encontrar o La Petit. Um restaurante tailandês em forma de garagem, com pratos tailandeses. Não havia qualquer fachada exterior, para além do alumínio corrido a cima que certamente durante a noite fechava o espaço. Com cerca de dez mesas, paredes brancas, dezenas de quadros na parede, ventoinhas a trabalhar incansavelmente, com um frigorifico ao fundo e ao lado o acesso provável para a cozinha. Apenas uma mesa estava ocupada e nós ocupamos outra e fomos olhando os menus.

Acabamos saciados com um café fraco, como todos os outros, e com a fome desfeita. Ali comemos bem. Talvez o local onde mais gostamos de comer em todo o país. Foi somente um shake de ananás feito pelos deuses, enquanto as fadas cozinharam um arroz de vegetais e gambas para ela. Para mim saltearam carne de porco com vegetais, de todas as cores, e adicionaram um molho agridoce, suave, de tom avermelhado e saborosamente inesquecível.

 

Doi Suthep

 

O objetivo era visitar Doi Suthep ainda naquela tarde. Rapidamente percebemos que ali os táxis deram lugar aos songthaew. Se um táxi tem a mesma forma em qualquer país do mundo, estes songthaew só existem no mundo oriental. Falamos de uma espécie de carrinha pick-up vermelha com a parte da carga adaptada. Foram colocados dois bancos verdes, um de cada lado, com capacidade para quatro pessoas, cada, e uma cobertura. Nos songthaew não existe porta traseira e ainda dispõem de um apoio junto ao para-choques onde é possível viajar, tal como fazem os funcionários da recolha do lixo no nosso país. Funcionam como táxis, mas as viagens são partilhadas. Rumam a qualquer ponto da cidade e se quiseres também te levam para algumas atrações fora dela. Nesse caso, levam-te para uma paragem que serve de ponto de partida para esse destino específico. Irás aguardar que cheguem outras pessoas para preencherem todos os lugares. Ou então, tens sempre a possibilidade de pagar esses lugares vazios e evitar a espera. Viajar neste transporte é muito barato, podendo custar cerca de oitenta cêntimos até dois euros por pessoa.

No nosso caso, com cinco euros compramos a viagem de trinta quilómetros, considerando ida e volta, e a entrada no templo. O condutor da carrinha vermelha esperou ainda durante duas horas, para que nós e um grupo de quatros chineses, que viajaram connosco, tivéssemos tempo para conhecer o local.

 

Trezentos degraus separavam-nos do topo. Na base, onde estávamos, haviam imensos mercados de produtos artesanais, mas apenas nos focamos nas cabeças das serpentes de Naga que assinalavam o início da subida. Era uma escadaria bastante ingreme, por entre duas caudas verde de serpentes que demarcavam o percurso da vegetação envolvente. Diz a lenda que foi Naga quem protegeu buda inúmeras vezes ao longo da sua vida e por isso ali estava retratada.

Se a subida já parecia tão magnifica o que dizer do que encontramos lá em cima? Um recinto plano, com vários edifico sagrados em volta e uma estupa no seu centro, que é uma espécie de pirâmide dourada, com ornamentos em ouro. Aquele local é de uma tranquilidade incrível. Retiramos inúmeras vezes os sapatos para entrar em cada um dos templos anexos, sentamos para apreciar os budas e encontramos a paz. O cheiro a incenso espalhava-se por toda a parte e ouviam-se ainda sinos esporadicamente. Haviam vários sinos, que devem ser tocados por quem deseja a bênção e sorte, e não resistimos a que um se fizesse ouvir por nossa ação.

 

Na parte de trás lá estava a famosa varanda com vista privilegiada sobre a cidade e toda a floresta envolvente. Enquanto dezenas de turistas apreciavam a landscape outros viravam costas e tentavam uma selfie que os envolvesse naquele quadro. Era definitivamente um local de eleição e estávamos rendidos. A paisagem, os ornamentos dos templos, os budistas em contemplação, o ressoar dos sinos e o ambiente místico. Tudo era encantador. Fomos ainda convidados a assinar um tecido dourado, que segundo nos disseram iria servir para cobrir o pagoda nas celebrações e assim obteríamos dele a bênção e a realização dos nossos desejos.

 

Por um sorriso recebes

 

Foi por pouco que não perdemos o transporte de regresso. Os chineses pareciam pouco empolgados com o local e já esperavam impacientemente por nós. Depressa descemos a montanha e voltamos à cidade. Ainda eram cerca de cinco da tarde e tínhamos uma hora de sol, que aproveitamos para gastar na visita ao Wat Chedi Luang.

Com uma base quadrada, uma escadaria ao centro que saía de cada um dos quatros lados, alinhada com outras quatro portas no cimo. Assim se formava em forma de base de pirâmide, com uma construção que parecia em ruínas assente no topo.

Apreciamos um belo por do sol e rimos com a inscrição presente em avisos em toda a parte do templo: “Proibidas fotografias de casamento”.

 

Apanhamos um tuk tuk que nos levou ao hotel. Após colocarmos as malas no quarto e tomarmos um bom banho fomos à procura do “Cooking Love”. Um restaurante tailandês muito bem recomendado pelo Pedro e pela Catarina. O tuk tuk conhecia as ruas de cor e a alta velocidade percorreu todas as ruelas e rapidamente nos deixou à porta. Acolhidos por um simpático funcionário, que nos acompanhou até à mesa, confiamos na sorte e deixamos ao seu critério a escolha dos pratos. Sorte essa que nos tinha visitado ao almoço e de quem iriamos duvidar nos minutos seguintes.

A mim calhou-me uma espécie de bife, meio ensopado, acompanhado de algo amarelo bastante crocante que era simplesmente intragável. A ela, porém, não calhou melhor sorte. Algo semelhante a uma sopa de marisco cheia de coentros. Aquele tipo de coisas que adoras ou simplesmente odeias. E esse era o nosso caso. Fomos apreciando o sumo natural de laranja e maracujá, absolutamente encantador, enquanto o funcionário simpático nos topava. Não demorou muito até que ele se fizesse acompanhar da dona do espaço e nos questionar sobre a nossa falta de apetite. Eles não queriam clientes insatisfeitos. Não, não nos colocaram na rua. Quiseram sim que saíssemos satisfeitos e com o sorriso que eles tanto valorizam. Cerca de dez minutos depois chegaram com outro prato para experimentarmos, mas desta vez por conta da casa. Não tínhamos pedido absolutamente nada e eles ofereceram de livre vontade. Impossível seria não ficar encantado e apaixonado por este povo tão encantador. Fomos brindados com uma metade de ananás, que servia de travessa, onde vinha um arroz de gambas e vegetais delicioso. Saboreamos e quase lambemos os dedos. Não fosse aquela atitude e teríamos saído dali desejando nunca mais voltar e acabamos por guardar uma excelente experiência debaixo de uma sorridente memória.

 

Por um sorriso pagas

 

Usamos de novo um tuk tuk até ao mercado noturno. E que mercado lindo é este Night Bazar! Uma área enorme cheia de opções e cheia de vida. Música por toda a parte, negócio a correr a cada metro linear, e luz, muita luz! Este mercado é o maior da cidade e abre todas as noites de segunda a sábado e ao domingo dá lugar ao Sunday Market que não tivemos hipótese de visitar.

Caminhar ao longo das ruas e apreciar tudo o que é vendável é saboroso, mas resistir a gastar algum dinheiro é impossível. Compramos algumas t-shirts e um elefante pintado à mão. Aqui sentimos que o poder negocial é menor do que em Bangkok, porque as coisas estão mais próximas do preço justo, mas é sempre possível conseguir menos vinte ou trinta porcento. Ao comprar ainda ganhas. É verdade. Ganhas um sorriso do tamanho do mundo e a sensação de que fizeste aquela família ganhar o dia. Pelo menos foi isso que sentimos ao comprar o elefante das mãos da sua pintora que nos pediu uma fotografia para que não esquecesse quem levou um fruto da sua arte para o outro lado do mundo.

 

O corpo estava cansado, contente, animado, satisfeito e contaminado pelo espirito. Partilhamos um songthaew até ao hotel com dois americanos que nos contaram histórias das doze vezes que já tinham estado naquela cidade, em outros tantos anos. Todos os anos vão recarregar energias na Tailândia e já não vão a outro lado senão Chiang Mai.

 

 

Uma excelente conversa que apenas foi superada pelo conforto da cama que nos chamava!

 

 

Este foi o nosso primeiro dia em Chiang Mai, ficas connosco até ao dia seguinte?