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Passear Contigo, Amar e Ser Feliz

Pré-aviso de Greve! Oh Não!

13.09.19 | André Maria

Cópia de Não importa a cor do céu, quem faz o d

 

Ai! Ai! Era uma vez uma greve dos tripulantes de cabine das bases portuguesas da Ryanair, agendada para 21 a 25 de Agosto de 2019, que nos forçou a… queimar a cabeça!

A nossa viagem para milão era no dia 21 de Agosto, no voo das 06:00 da manhã, e no início de Agosto fomos “atacados” com um pré-aviso de greve que começava precisamente no dia do nosso voo de partida.

Uma verdadeira dor de cabeça. É logico que compreendemos os direitos dos trabalhadores e aceitamos a revindicação dos seus direitos, ainda para mais na Ryanair de que tanto se fala a esse nível, mas a verdade é que ninguém quer que lhe calhe a “fava”, que é como quem diz: greve sim… mas não quando eu tiver um voo marcado.

 

Entre as nossas certezas

Faltavam quinze dias para a partida e na nossa cabeça, stressada, construíamos um raciocínio assente em alguns pontos-chave:

 

Primeiro, a certeza de que, tal como todos os primeiros voos do dia, a tripulação do nosso voo era seguramente da base do Porto, logo estaria sob alçada da greve.

Segundo, a ideia intrigante de que teria pouco mais de vinte e quatro horas para chegar a Milão caso o voo não partisse, uma vez que no dia seguinte (22/08) tinha voo para Dubrovnik ao início da tarde.

 

Ora bolas, as soluções começavam a escassear e as informações/garantias da companhia eram zero. Era compreensivelmente lógico que nada podiam informar, visto que apenas no dia da greve iriam perceber a adesão, o seu impacto e estruturar as eventuais soluções. Soluções essas que poderiam demorar mais de vinte e quatro horas, pensava eu… enquanto a ansiedade pressionava.

 

Os nossos planos

Elaboramos três planos enquanto os dias iam passando e as soluções escasseando.

O Plano A era, não fazer absolutamente nada, aguardar e ir para o aeroporto na espectativa de ver o voo partir, correndo o risco de ficar em terra.

 

O Plano B era esquecer este voo e tentar chegar a milão mais cedo um dia ou dois, através de outras companhias e com escalas onde fosse mais barato.

 

O Plano C era acreditar que o voo pudesse partir, mas ter por prevenção um voo comprado que nos colocasse em Dubrovnik no prazo de 48h, para não perdermos as férias totalmente.

 

Esmiuçando Planos

Sabes quais são as soluções da Ryanair caso um voo seja cancelado?

  1. Reembolso
  2. Troca por outro voo disponível

 

A primeira opção de nada servia… O voo tinha sido barato e com o reembolso não recuperava todo o dinheiro investido nos outros voos, estadias, etc.

A segunda opção de nada servia… simplesmente estavam esgotados todos os voos para milão.

 

Rapidamente o Plano A se evaporou. Trabalhar um ano inteiro e já ter tanto dinheiro investido, não podia acabar num terminal de aeroporto sem soluções. Era preferível aumentar o orçamento do que poupar um ano inteiro e morrer na praia… entre paredes de betão.

 

O Plano B de todos era o mais sensato, uma vez que o investimento extra poderia ser compensado por mais tempo de férias. Não era dinheiro deitado fora à toa.

Após algumas horas a estudar as opções e centenas de visitas às páginas de companhias aéreas e motores de busca do Edreams, Rumbo, Momondo, Skyscanner, Kayak, etc, Eis a melhor solução:

- Voo Porto-Colónia, no dia 19, com partida às 10:10 e chegada às 13h50.

- Voo Colónia-Milão, no dia 19, com partida às 22:10 e chegada às 23h35.

Valor: 163€/pessoa

 

Todas as alternativas do Plano C revelaram-se superiores a 250€, pelo que não foram sequer ponderadas.

 

A nossa decisão

Optamos pelo investimento extra e pela expansão de oito para dez noites do período de viagem. Juntando aos 163€ dos voos a alimentação para dois dias a estadia prolongada em Milão, as refeições e os transportes, vimos o nosso orçamento para as férias fugir para lá dos 700€ e ser esticado até aos 1100€/por pessoa. Bastante mais do que aquilo que pretendíamos, mas entre a indecisão da sorte ou azar, optamos por não ficar na espectativa e garantir o nosso lugar na Dalmácia, na cidade da moda e na terra da água-de-colónia, que juntamos à nossa lista.

 

E esse voo? sai ou não sai!?

Felizmente para muitos, e para nosso prejuízo, o voo saiu mesmo. A Ryanair pressionou os funcionários e abriu inquérito para apurar quem iria fazer greve para se puder antecipar e garantir que os voos eram efetuados. Tudo isto depois de termos avançado com o nosso Plano B. Os sinais da greve foram praticamente nulos e penso que nenhum voo tenha sido cancelado, ao contrário do que acontece em tantas outras greves.

Não lamentamos, aliás até ficamos felizes por todos os que arriscaram e foram contemplados com a sorte nesse jogo, que nos levou à loucura. Sentimos que, apesar de tudo, fizemos a escolha acertada!

 

 

E tu o que terias feito?

Achas que fomos precipitados?

Já passaste por algo semelhante?

 

 

Voa connosco até Colónia no próximo post, isto é, se nenhuma greve se colocar no teu caminho!

CAP III - Chiang Mai – três ponto três - Doi Inthanon

12.09.19 | André Maria

A Tailândia é o destino perfeito para qualquer tipo de viajante. Para nós que optamos por conhecer tudo e mais alguma coisa e não gostamos de estar muito tempo de “papo” para o ar, não podia ser melhor a escolha. Temos uma atração e fascínio por miradouros e não podíamos ir a um destino tão longínquo e não visitar o seu cume, que é como quem diz “Doi Inthanon”.
Uma serra com mais de 2.500m de altitude que pelas fotos parecia ser retirada de um imaginário, capaz de nos fazer acreditar num paraíso celeste.

 

Uns meses antes compramos à âgencia Klook, via internet, um tour para este dia pelo valor de 71€ para os dois, que incluía o transfer desde o hotel, o almoço e ainda a passagem por outros locais de interesse.


A noite no Mhonsa Hotel estava a ser super tranquila, mas o despertador que já tinha sido adiado algumas vezes conseguira por fim colocar-nos em sobressalto. Numa corrida apressada, debaixo de um duche frenético e um enfardamento desconcertado, chegamos à receção sem que o nosso guia esperasse muito tempo e acabamos por ver, ao fundo, o pequeno-almoço sorrir sem que lhe pudéssemos mostrar os dentes.

Entramos na carrinha e aquele ar frio do ar-condicionado até nos fez esquecer que ainda não eram oito horas e já estavam trinta graus na rua. Recostados num banco que o estomago não deixava ser confortável, esperamos impacientemente que o nosso guia autorizasse uma paragem no 7eleven (cadeia de supermercados) para tomarmos um qualquer iogurte acompanhado de umas bolachas. E assim foi, para gargalhada dos cinco turistas asiáticos que viajavam connosco, o guia mandou que o motorista encostasse e anunciou em voz alta, com um bom inglês, que havíamos chegado à primeira atração turística do dia: “O supermercado 7eleven!”


Após algumas horas de viagem, chegamos ao primeiro local de paragem: “RHODODENDRON ARBORETUM”. Uma zona florestal com passadiços de madeira sobre um pequeno riacho formavam um trilho com o nome de Angkha Nature Trail. A vegetação verde e muito densa, com intensos traços de humidade, cobriam a madeira dos trilhos e tornavam o local fascinante. Pelo meio encontramos um memorial de homenagem às vítimas de um acidente trágico com um helicóptero militar que ali havia caído décadas antes.


Cerca de uma hora depois seguíamos caminho até ao cume, até ao ponto mais alto da Tailândia com dois mil, quinhentos e sessenta e cinco metros de altitude.

Aguardava-nos um tempo instável, marcado pelo nevoeiro e pelo frio (bem diferente do clima no centro de Chiang Mai) e não tardou até que a chuva viesse com toda a sua força, num gesto intenso da natureza que não durou mais de quinze minutos.


Nesse momento visitávamos Naphamethinidon e Naphaphonphumisiri, os dois chedis perto do cume do Doi Inthanon, que são duas espécies de pirâmides típicas tailandesas, construídas em homenagem ao Rei e à Rainha. Por entre a neblina estes dois monumentos fazem as maravilhas dos turistas, dadas as suas características capazes de tornar qualquer foto excepcional. Um jardim florido cheio de encanto, um lago e uma ponte ondulada e a envolvência de um trilho são os ingredientes mágicos deste local. Apenas ultrapassados pela riqueza do silêncio e da paz que o local transmite e pela paisagem alargada e incomensurável que tamanha altitude nos permite alcançar.

Cada um dos chedis é um centro de oração budista e estão unidos por uma longa escadaria que forma um vale entre os dois monumentos.

 

Foi sobretudo por esta imagem, este espaço e esta dimensão, que o nosso destino de Lua-de-mel foi a Tailândia. Fiquei focado neste país após uma imagem deste local partilhada algures e acreditem que estando lá senti que não tinha sido roubado… aquele local existia mesmo e estava a senti-lo com entusiasmo.


De regresso à nossa van, para junto dos asiáticos que nos acompanhavam no passeio, descemos até uma povoação e visitamos um mercadinho típico. Dali levamos o encanto da fruta cristalizada doce, da qual jamais espectamos qualquer tipo de agrado mas que incrivelmente nos conquistou.

 

O almoço, quiçá, foi o melhor de todos os que experimentamos. Era uma cantina, repleta de outros grupos, com mesas várias mesas compridas, onde caberiam cerca de quinhentas pessoas.

Enquanto aguardávamos a refeição, conversávamos com duas jovens turistas de Singapura sobretudo sobre as diferenças culturais. Esses momentos são fascinantes. Percebermos que somos de mundos totalmente distintos e que a distância que nos separa fisicamente é menor do que a distância cultural. Enquanto isso partilhávamos um peixe frito, muito grande, acompanhado por vegetais envolvidos num molho agridoce e arroz branco. Desconhecemos completamente o nome de tal peixe, mas a verdade é que o seu paladar era incrivelmente bom, apesar do seu aspeto não ser o melhor. Faltou um café no final para ser perfeito o manjar.

 

De barriga bem cheia regressamos à estrada para conhecer o “Royal Project”, que é composto por uma área agrícola enorme, onde são produzidos alguns dos alimentos que são comercializados nas cidades. Este espaço também dispõe de um espaço verde para uma tranquila caminhada.

 

Apesar de tudo o ponto do alto do dia foi a cascata Wachirathan Waterfall. Esta cascata é enorme e do miradouro consegue-se sentir a potência da água durante a queda. O vento leva pequenas gotas pelo ar e ao fim de uns segundos o nosso corpo fica inundado. Eramos capazes de permanecer ali horas a fio. É tão rico e tão agradável aquele sentimento em que apenas nos conseguimos focar em nada. Presos num estado de vazio, num pensamento que não procura nenhuma resposta e não equaciona nenhuma expressão para além do repouso.

 

Já passava das cinco da tarde quando retornamos ao hotel. Aproveitamos para conhecer a pequena piscina do alojamento e saborear o sol até ao último raio do dia.