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Passear Contigo, Amar e Ser Feliz

CAP III - Chiang Mai – três ponto dois - Elephant Nature Park

15.04.19 | André Maria

O país dos tours

 

Como se recordam, a Agência Abreu no circuito “Triangulo Thai” tinha algumas atividades definidas e que nós usamos como base para programar a nossa viagem.

Em Bangkok não houve qualquer necessidade de reservar tours, isto é: programa de agências locais de visitas guiadas, porque dentro da cidade simplesmente não é preciso e o tempo disponível não nos permitiu visitar as principais atrações fora dela, ficando assim por conhecer Ayutthaya e o mercado flutuante.

Em Chiang Mai a coisa já foi diferente. Se ontem fomos ao Doi Suthep, “por conta própria”, que já ficava na periferia, hoje foi dia de conhecer a maior riqueza deste país, a cerca de uma hora de distância do nosso hotel, através do nosso primeiro tour. Falamos, pois, dos elefantes, que em tempos foram a bandeira nacional da Tailândia.

 

 

Dos elefantes

 

Uns meses antes, após várias pesquisas na internet encontramos o Elephant Nature Park. Um santuário de Elefantes que já foi distinguido com prémios internacionais, pelo seu excelente trabalho de recuperação de Elefantes, que eram, na maioria, vítimas do turismo, indústrias ou forças armadas.

Aconselhamos a pesquisarem pela “Quebra do Espirito”, um ritual cruel, que tem como objetivo acalmar e domesticar o elefante, através de tortura, para que possa depois obedecer às ordens dos homens. Dessa forma o instinto selvagem do animal é “apagado” e este fica preparado para trabalhar intensamente nas mais diversas áreas, com principal destaque para a função de andar com os turistas às costas.

 

Por 5.000€ Baths, cerca de 135€, reservamos meses antes este Tour de um dia completo, diretamente com o Elephant Nature Park, para duas pessoas, incluindo almoço e transfer desde o Hotel.

 

E assim foi, após um bom pequeno almoço, com muita variedade ocidental, aguardamos uns minutos pela chegada da carrinha que nos levaria até aos elefantes. Durante esse período de espera vimos partir cerca de uma dezena de casais para diversos tours e compreendemos a dinâmica daquele local. Todos os casais, tal como nós, tinham reservado antecipadamente o seu programa para aquele dia e ali estavam a partir, cada um para o seu destino, com a sua agência local.

 

Do turismo

 

A nossa van de 9 lugares era recente, equipada com ar-condicionado no máximo, televisor e bastante confortável. Os restantes lugares já estavam ocupados de jovens que, tal como nós, atentamente assistiram ao documentário sobre o santuário, que ia passando no televisor ao longo do caminho. Percebemos, logo ali, que se tratava de algo sério, algo reconhecido internacionalmente e visitado por inúmeras figuras públicas mundiais.

O documentário explica ao detalhe o funcionamento do parque, bem como todo o seu percurso cronológico de conquistas.

Já passava das nove horas quando chegamos. Estávamos parados num parque em terra batida, com mais quatro ou cinco carrinhas semelhantes à nossa, envolvidos num grupo de mais de trinta turistas. Atrás de nós víamos arvores altas e o verde da floresta e bem ao nosso lado uma espécie de canil/gatil que se fazia ouvir. Fomos divididos pelos guias e ficamos com um grupo mais reduzido, de aproximadamente dez pessoas. Subimos as escadas de madeira, que nos levavam para a base do edifício de dois andares, que servia de base para o santuário.

Seguindo o guia, passamos pelo bar e percorremos até ao secretariado onde foi confirmada a nossa reserva e deixamos os nossos pertences na ala do refeitório, numa mesa redonda destinada ao nosso grupo. Todo este andar era amplo, e o refeitório tinha apenas uma grade a separar do resto do parque, de forma a que pudéssemos apreciar a savana.

A primeira atividade foi alimentar os elefantes. O nosso guia chamou dois animais que se colocaram junto à grade à espera da refeição. Colocou ainda cerca de meia dúzia de baldes cheios de pedaços de melancia, para que lhes pudéssemos dar. A nossa função era pegar na melancia e esperar que o animal a desejasse e, com o auxílio da sua tromba, nos viesse pegar da mão. Estávamos afastados pela grade para que a segurança do animal fosse garantida e a nossa proteção assegurada, para o caso de este se irritar com a nossa presença durante a refeição.

O nosso grupo era composto por um casal de Chilenos e um grupo de cinco ou seis rapazes Espanhóis. À medida que íamos deixando o edifício para trás, eles começaram a dialogar entre si, em Espanhol, e nós os dois íamos compreendendo tudo o que diziam, sem que eles dessem conta.

Ao longo da savana, estavam espalhados sombreiros gigantes, construídos com madeira e palha, que serviam de sombra para os mais de noventa elefantes que ali vivem, juntamente com outros animais selvagens.

Paramos debaixo de um desses para alimentar mais um casal de elefantes. Desta vez com verduras, semelhantes a espigas de milho, e podemos pela primeira vez, sentir-lhes a pele a acariciá-los lentamente. Nem todos os elefantes conseguem disfrutar deste momento, sendo que apenas são escolhidos os animais mais habituados ao contacto com humanos.

Ao longo desses momentos, houve lugar para umas boas fotos e um convívio animado entre o grupo, que fazia questão de comunicar connosco sempre em inglês. Foi por isso um grande espanto quando decidimos interagir com eles na sua própria língua. Ficaram maravilhados por conseguirmos falar “portunhol” com um sotaque tão parecido com o deles e compreendermos tão facilmente o que diziam. Ainda tentamos falar com eles em Português, mas a verdade é que dessa forma eles pouco entendiam. Foi por isso uma mistura de Chileno, Castelhano e Portunhol o resto do dia.

Antes de almoço conhecemos um elefante cego, que passeia livremente pelo parque. Os cuidados de quem visita são por isso redobrados e a aproximação ao animal é estritamente proibida.

 

Dos sabores

 

O almoço era composto por comida tradicional tailandesa. Um refeitório normal, de self-service, onde tínhamos à disposição todo o tipo de vegetais salteados, variedades infindáveis de fruta, arroz branco e carne refugada, com molho tradicionalmente picante. Um verdadeiro manjar cultural altamente delicioso, acompanhado por água bem fresca. Não fosse a falta de um bom café no final e estaria perfeito.

Depois de um almoço em que o tema de conversa era a diferença entre os nossos países, em que fomos aconselhados a conhecer o Chile e o Peru no Continente Americano, não podíamos perder a oportunidade de mostrar umas boas fotos do Porto e dos Passadiços do Paiva, que deixaram os nossos amigos com vontade de virem cá um dia.

 

Das sensações únicas

 

A tarde foi passada a assistir ao banho dos elefantes. Livremente iam entrando no rio e banhando o corpo, saboreando a frescura das águas. Cobriam-se quase totalmente e depois aspergiam pela sua tromba litros de água. Um banho tranquilo com dezenas de turistas de olho focado na lente da camara ou no ecrã do telemóvel, que registava o momento para a eternidade.

Do outro lado do rio existe outro parque de elefantes onde a conduta é totalmente diferenciada. Podemos assistir a um desfiladeiro de jipes que passavam pelos trilhos e iam deixavam um rasto de fumo negro e barulho do motor. A poucos metros andavam elefantes carregando turistas no seu dorso, que sorriam com as passadas do animal. Dois universos tão próximos e tão distintos.

 

Depois do banho é hora de rebolar na lama. Saíram da água e coçaram o corpo num monte de lama durante vários minutos. Hidrataram a pele molhada e apreciamos a forma descontraída com que a deixaram secar, sem que nenhum de nós que assistia perturbasse aquele momento de relax.

 

Eram mais de quatro da tarde quando saímos do parque e partimos de regresso ao hotel. Um dos dias mais felizes da nossa vida. O contato com os elefantes foi uma experiência inesquecível e que deixará sempre imensas saudades da Tailândia. Recomendamos que se um dia forem à Tailândia procurem viver esta experiência desta forma e compreendam que um elefante não é um animal de carga e que esse fator simplesmente lhes arruína a vida!

 

Podem ainda ajudar o parque apadrinhando um destes animais, pagando-lhe alimentação durante o período que desejarem!

 

Acho que não somos capazes de tirar uma fotografia que vos explique este sentimento mágico.

 

Fiquem connosco porque Chiang Mai ainda tem mais para conhecer no próximo post!