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Passear Contigo, Amar e Ser Feliz

CAP III - Chiang Mai – três ponto três - Doi Inthanon

12.09.19 | André Maria

A Tailândia é o destino perfeito para qualquer tipo de viajante. Para nós que optamos por conhecer tudo e mais alguma coisa e não gostamos de estar muito tempo de “papo” para o ar, não podia ser melhor a escolha. Temos uma atração e fascínio por miradouros e não podíamos ir a um destino tão longínquo e não visitar o seu cume, que é como quem diz “Doi Inthanon”.
Uma serra com mais de 2.500m de altitude que pelas fotos parecia ser retirada de um imaginário, capaz de nos fazer acreditar num paraíso celeste.

 

Uns meses antes compramos à âgencia Klook, via internet, um tour para este dia pelo valor de 71€ para os dois, que incluía o transfer desde o hotel, o almoço e ainda a passagem por outros locais de interesse.


A noite no Mhonsa Hotel estava a ser super tranquila, mas o despertador que já tinha sido adiado algumas vezes conseguira por fim colocar-nos em sobressalto. Numa corrida apressada, debaixo de um duche frenético e um enfardamento desconcertado, chegamos à receção sem que o nosso guia esperasse muito tempo e acabamos por ver, ao fundo, o pequeno-almoço sorrir sem que lhe pudéssemos mostrar os dentes.

Entramos na carrinha e aquele ar frio do ar-condicionado até nos fez esquecer que ainda não eram oito horas e já estavam trinta graus na rua. Recostados num banco que o estomago não deixava ser confortável, esperamos impacientemente que o nosso guia autorizasse uma paragem no 7eleven (cadeia de supermercados) para tomarmos um qualquer iogurte acompanhado de umas bolachas. E assim foi, para gargalhada dos cinco turistas asiáticos que viajavam connosco, o guia mandou que o motorista encostasse e anunciou em voz alta, com um bom inglês, que havíamos chegado à primeira atração turística do dia: “O supermercado 7eleven!”


Após algumas horas de viagem, chegamos ao primeiro local de paragem: “RHODODENDRON ARBORETUM”. Uma zona florestal com passadiços de madeira sobre um pequeno riacho formavam um trilho com o nome de Angkha Nature Trail. A vegetação verde e muito densa, com intensos traços de humidade, cobriam a madeira dos trilhos e tornavam o local fascinante. Pelo meio encontramos um memorial de homenagem às vítimas de um acidente trágico com um helicóptero militar que ali havia caído décadas antes.


Cerca de uma hora depois seguíamos caminho até ao cume, até ao ponto mais alto da Tailândia com dois mil, quinhentos e sessenta e cinco metros de altitude.

Aguardava-nos um tempo instável, marcado pelo nevoeiro e pelo frio (bem diferente do clima no centro de Chiang Mai) e não tardou até que a chuva viesse com toda a sua força, num gesto intenso da natureza que não durou mais de quinze minutos.


Nesse momento visitávamos Naphamethinidon e Naphaphonphumisiri, os dois chedis perto do cume do Doi Inthanon, que são duas espécies de pirâmides típicas tailandesas, construídas em homenagem ao Rei e à Rainha. Por entre a neblina estes dois monumentos fazem as maravilhas dos turistas, dadas as suas características capazes de tornar qualquer foto excepcional. Um jardim florido cheio de encanto, um lago e uma ponte ondulada e a envolvência de um trilho são os ingredientes mágicos deste local. Apenas ultrapassados pela riqueza do silêncio e da paz que o local transmite e pela paisagem alargada e incomensurável que tamanha altitude nos permite alcançar.

Cada um dos chedis é um centro de oração budista e estão unidos por uma longa escadaria que forma um vale entre os dois monumentos.

 

Foi sobretudo por esta imagem, este espaço e esta dimensão, que o nosso destino de Lua-de-mel foi a Tailândia. Fiquei focado neste país após uma imagem deste local partilhada algures e acreditem que estando lá senti que não tinha sido roubado… aquele local existia mesmo e estava a senti-lo com entusiasmo.


De regresso à nossa van, para junto dos asiáticos que nos acompanhavam no passeio, descemos até uma povoação e visitamos um mercadinho típico. Dali levamos o encanto da fruta cristalizada doce, da qual jamais espectamos qualquer tipo de agrado mas que incrivelmente nos conquistou.

 

O almoço, quiçá, foi o melhor de todos os que experimentamos. Era uma cantina, repleta de outros grupos, com mesas várias mesas compridas, onde caberiam cerca de quinhentas pessoas.

Enquanto aguardávamos a refeição, conversávamos com duas jovens turistas de Singapura sobretudo sobre as diferenças culturais. Esses momentos são fascinantes. Percebermos que somos de mundos totalmente distintos e que a distância que nos separa fisicamente é menor do que a distância cultural. Enquanto isso partilhávamos um peixe frito, muito grande, acompanhado por vegetais envolvidos num molho agridoce e arroz branco. Desconhecemos completamente o nome de tal peixe, mas a verdade é que o seu paladar era incrivelmente bom, apesar do seu aspeto não ser o melhor. Faltou um café no final para ser perfeito o manjar.

 

De barriga bem cheia regressamos à estrada para conhecer o “Royal Project”, que é composto por uma área agrícola enorme, onde são produzidos alguns dos alimentos que são comercializados nas cidades. Este espaço também dispõe de um espaço verde para uma tranquila caminhada.

 

Apesar de tudo o ponto do alto do dia foi a cascata Wachirathan Waterfall. Esta cascata é enorme e do miradouro consegue-se sentir a potência da água durante a queda. O vento leva pequenas gotas pelo ar e ao fim de uns segundos o nosso corpo fica inundado. Eramos capazes de permanecer ali horas a fio. É tão rico e tão agradável aquele sentimento em que apenas nos conseguimos focar em nada. Presos num estado de vazio, num pensamento que não procura nenhuma resposta e não equaciona nenhuma expressão para além do repouso.

 

Já passava das cinco da tarde quando retornamos ao hotel. Aproveitamos para conhecer a pequena piscina do alojamento e saborear o sol até ao último raio do dia.