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Passear Contigo, Amar e Ser Feliz

PayváPé em Castelo de Paiva - Percurso de São Martinho de Sardoura

14.03.21 | André Maria

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Aos pouquinhos estão a nascer marcações em todo o Concelho de Castelo de Paiva, que em breve irão ser concluídas e divulgadas no Projeto "PayváPé", que não é nada menos do que isso: "Conhecer Castelo de Paiva a Pé!".

Embora este seja o conceito, todos os percursos serão também cicláveis e alguns deles passiveis de serem percorridos de mota ou jipe.

No total serão 9 os percursos, sendo o foco de cada um dar a conhecer cada uma das 9 freguesias do Concelho (Nota: 9 freguesias antes da União de Freguesias) e por fim todos eles, juntos, darem a conhecer Castelo de Paiva aos Paivenses e aos seus visitantes.

Por isso todos eles começam na Igreja Matriz de cada uma das Freguesias e levam-nos a locais incríveis, que provavelmente de outra forma nunca iriamos conhecer!

E há tanta coisa espetacular nesta terra!!

Como os percursos serão todos circulares, voltam sempre ao mesmo sítio. Ou seja, embora o ponto inicial seja a Igreja Matriz, se iniciarmos o percurso em qualquer ponto, conseguimos fazer o percurso todo.

E foi isso que hoje fizemos!

Saímos de nossa casa, porque temos uma placa mesmo aqui à porta, e fomos desfrutar do percurso da nossa freguesia, São Martinho de Sardoura, que já se encontra marcado. Apenas falta a placa inicial, na Igreja, que será colocada por altura da inauguração.  

Caminhamos durante 3 horas e uns pozinhos, sem pressa e ao ritmo da conversa que foi sempre variando em que o que íamos vendo ia servindo de mote para o tema seguinte. São 13km que se percorrem sem muita dificuldade e a paisagem muda no embalo de cada passo. 

Iniciamos aqui na zona de Vila Verde, onde destaco a paisagem dos campos e o som extasiante do Rio Sardoura. Pelo Caminho das Noras, seguimos com os pés na erva e ao nosso lado segue uma pequena corrente de água, que irá alimentar as hortaliças e as batatas. Seguimos por entre o verde e o som da água, e do lado esquerdo observamos a estrutura metálica onde antigamente as juntas de touros puxavam a água. Logo à frente muda para um empedrado que nos leva a conhecer um dos locais mais emblemáticos da aldeia: o recinto da Festa do Espírito Santo e a Capela com a ramada encostada á sua fachada. Aqui sentimos nostalgia e vontade de petiscar os "tremoços", tão típicos da procissão que no dia do Espírito Santo traz cá gente de toda a parte!

Cruzamos o rio Sardoura por uma ponte em pedra e subimos até a Costa, no vale acentuado pelo São Gens e em que a Freguesia ganha uma nova perspetiva! Aqui a vista é deliciosa. Ao fundo dos campos observamos à distância a Igreja e todo o vale verde, repleto de campos e habitações. Depois de passar pelas poucas casas iniciamos uma nova descida e voltamos às margens do Rio Sardoura. As águas em movimento emitem um som tranquilizante e demos por nós a observar o seu curso, debruçados na grade, indecisos entre continuar o caminho ou ficar ali... a relaxar.

Por entre casas antigas, sempre acompanhados pelo verde dos campos, chegamos ao lugar de Casa Nova e ao fim de poucos metros descendo pela estrada principal entramos na Zona de Lazer de S. Martinho. Espaço verde, que hoje andava a ser limpo pela Junta de Freguesia e alguns voluntários, e que é bem apetrechado com mesas e grelhador para momentos de lazer. Por debaixo das arvores altas, o verde refrescante da erva contrasta com o azul do rio Sardoura, que ao fundo do parque apresenta imponentes cascatas de água, por meio de rochas sobrepostas. Um lugar mágico para momentos em família, numa futura era pós covid, que poderia ser perfeito se a água do Rio Sardoura fosse própria para banhos!

Regressados ao percurso subimos até á Capela de São Brás, construída em homenagem ao Santo Padroeiro desta freguesia. Em sua devoção são feitas (em anos normais) as grandiosas Festas em Honra de São Brás, no primeiro domingo de maio, e dias antecedentes, e a ele recorrem todos os romeiros que têm males da garganta.

Por entre um espaço acolhedor, observamos os coretos e logo ao fundo a imponente Igreja Matriz, a mais recente do Concelho e provavelmente a que mais lugares sentados tem em toda a região (penso que sejam mais de 500!).

Será aqui, oficialmente, o ponto de partida deste percurso Payvápé, pelo que tudo o que leste até agora será a parte final da tua caminhada. Por isso já sabes que te espera um merecido descanso na Zona de Lazer mesmo antes de terminares.

O percurso contorna a igreja e passa pelo lado esquerdo do cemitério até desembocar no Largo José Bento da Cunha Ferreira. Este homem, com direito a dedicatória neste largo, foi o primeiro presidente de Junta e o mentor da arte do cobre nesta freguesia, a meio do século XX! Nesta arte trabalham 3 empresas na freguesia, que empregam mais de 50 artesãos e exportam o aclamado Alambique de destilação para todos os cantos do mundo!

No largo encontramos o monumento de Cristo deitado que celebra a viragem do milénio. Logo acima seguimos por uma viela estreita no Lugar de Vinha D'além e pouco depois cruzamos a estrada nacional. Entramos no lugar de Monte Carvalhoso, onde laboram as empresas do cobre e ouvimos o bater frenético dos martelos que dão o acabamento característico desta preciosidade. Se tiverem oportunidade, na aplicação Ofícios de Payva encontram os contactos das empresas e podem tentar uma visita às instalações e até adquirir os seus produtos em cobre tão autênticos e característicos. Por curiosidade fica a saber que é com Cobres de São Martinho de Sardoura que são criados whiskys, Vodka's e perfumes de várias marcas.

Passamos pela povoação, entramos na zona de Crava e após passar por umas escadinhas iniciamos a descida até ao vale do Rio Douro. Após passar o pontão sob o IC35, entramos no monte pelo Caminho das Curtinhas e enfiamos por um trilho repleto de pequenos penedos, em que se observa ao fundo a corrente do Rio Douro. Poucos metros depois abre-se a vegetação e solta-nos um "baque" do estomago ao apreciar a vista.

Mas que vista! 

Descemos sem pressa, observando as laranjeiras carregadas de frutos e uma panóplia de flores de todas as cores que dão vida aos campos! E ao fundo, sempre o Rio Douro cada vez mais perto. Damos de frente com a fachada da Capela particular da Sr.ª do Pilar, abandonada pelo tempo e alvo de atenção recente pelas gentes desta terra. O seu interior nunca observei, mas acredito que esteja bem deteriorado, uma vez que serviu de palheiro durante longos anos.

Estamos a poucos metros de "Las Covas"! Um parque com duas mesas e uma churrasqueira bem pitoresca, nas margens do Rio Douro, com um pequeno areal e que faz delícias no verão apesar de não ser uma praia fluvial. Atualmente o acesso foi comprometido pelas derrocadas do inverno e por isso vais encontrar placas contraditórias no acesso a este lugar mágico. Pelo que não recomendo que entres neste espaço. Mas se quiseres arriscar vai com todo o cuidado! depois do areal segue por um trilho apertado, pela borda do campo e ao fim de alguns metros voltas a encontrar as placas. Caso não arrisques é só seguir em frente e subir pelo caminho da arnela, onde quem arriscou também vai ter. O caminho de subida da Arnela é absolutamente fenomenal. Sobe um pouco, é certo, mas a paisagem do Douro até Entre-os-Rios é digna da melhor selfie!

 Para nós o sítio mais bonito da Freguesia.

Já com um pouco de cansaço acumulado, chegamos ao Cruito e passamos por debaixo do IC35, junto à escola primária. Passamos o fontenário, que tantas histórias conta nas suas paredes, e subimos em direção a Valetruto, onde é produzido o tão aclamado Vinho de Valetruto, medalha de ouro. Pelo caminho passas junto às estufas da empresa Framboesas Picotas que faz uma compota deliciosa e uns chocolates de licor de framboesa divinais! O melhor de tudo isto é que vendem uns packs destes produtos regionais, que se tornou um presente muito criativo para oferecermos aos familiares. (assim o fizemos no Natal passado).

Antes da Quinta de Valetrututo, apreciamos a paisagem, com a Serra da Boneca, a Serra de São Paul e o Monte de São Gens a ganharem destaque lá no alto, enquanto no fundo do vale o centro da freguesia se destaca nesta nova perspetiva tão encantadora.

Descemos alguns metros, por entre um lugar de casas, com um estreito e acentuado caminho de alcatrão. Estamos no caminho da Cerca onde é produzido o Vinho da Encosta da Cerca, um dos melhores da região. Seguimos junto às vinhas, passamos montes e campos e pouco depois estamos em casa. O nosso percurso termina aqui, já tu provavelmente terás que fazer o que te resta até à igreja, caso te aventures neste caminho que tanto recomendamos!

Este percurso está sinalizado com triangulo azul e seta branca que poderão ser em placas de alumínio, placas de madeira pintadas ou pinturas em vários tipos de superfícies, por isso deves seguir com toda a atenção. Neste momento o percurso está em fase de testes e será inaugurado em breve, mas poderás conhecê-lo já, partindo à descoberta das placas azuis e brancas!

Fica a nota que o PayváPé é um projeto do Centro Sol Nascente em Parceria com o Município de Castelo de Paiva e todas as Juntas de Freguesia do Concelho.

 

Aprecia a galeria de fotos e, caso queiras, descarrega o KMZ do Trilho.

PP02 - São Martinho de Sardoura.kmz

 

Boas caminhadas!

 

 

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